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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Candidato Levy Fidelix se posiciona contra a união homoafetiva e é alvo nas redes sociais




Renata Mendonça e Ricardo Senra

Da BBC Brasil em São Paulo

"Dois iguais não fazem filhos. Me desculpe, mas o aparelho excretor não reproduz. Tem candidato que não assume isso com medo de perder voto. Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, avô que instrua seu neto. Não vou estimular a união homoafetiva."

A declaração, dita neste domingo por Levy Fidelix (PRTB) durante debate da TV Record com candidatos à presidência, alcançou o topo dos assuntos mais comentados pelos brasileiros no Twitter. Em duas horas, a hashtag #LevyVocêÉNojento foi compartilhada mais de 7 mil vezes.

O comentário foi em resposta à candidata Luciana Genro (PSOL), que questionou o criador do aerotrem sobre famílias formadas por gays, lésbicas, bissexuais ou transexuais. Visivelmente chocada com a declaração, a socialista afirmou defender "todas as famílias, não importa se são dois homens e duas mulheres".

Fedelix ainda tinha direto a tréplica: "O Brasil tem 200 milhões de habitantes. Já pensou se a moda pega? Daqui a pouco reduz para 100 milhões. Vai para a avenida Paulista e anda um pouquinho. É feio o negócio. Pessoas que têm esses problemas precisam ser atendidos por ajuda psicológica. E bem longe da gente, porque aqui não dá."

Repercussão

Além de se tornar "trending topic" no microblog, o candidato "nanico" - que reconheceu durante o debate "não ter nenhuma chance de vencer" - foi alvo de críticas, mas também de elogios.

O principal endosso veio do pastor Silas Malafaia, que fez elogios à fala de Fidelix e ironizou: "Estão reclamando? Verdade absoluta". A opinião do líder evangélico foi compartilhada mais de 230 vezes.

O pastor também afirmou que iria "dormir rindo" do comentário do candidato e desejou "vida longa aos inimigos para assistirem minhas vitórias".

As demonstrações de desaprovação, entretanto, foram maioria nas redes sociais.

A cartunista Laerte, defensora das pautas de travestis e transexuais, chegou a desenhar uma charge, na qual a cabeça do candidato do PRTB é substituída por um vaso sanitário.

Já Eduardo Jorge, que não comentou o posicionamento do adversário durante o debate, preferiu fazê-lo pelo Twitter: "Hoje vocês viram o quanto é necessário uma legislação que criminalize a homo/lesbo/transfobia, equiparando-as aos crimes de racismo, né?". A mensagem foi compartilhada 3.600 vezes.

Jornalistas como Bárbara Gancia, Artur Xexéo e Antônio Prata também se posicionaram.
"Levy Fidélix: conhecimento jurídico e filosófico nível Uganda s/ homossexualidade. E agora emendou papo 'bolivariano'. Triste espetáculo", disse a primeira. "Levi Fidelix tinha que ser preso", tuitou o segundo. "Deus do céu, que coisa horrorosa esse Levy Fidelix", emendou Prata.